O Brasil alcançou um marco histórico na saúde pública: as menores taxas de mortalidade neonatal e de crianças menores de cinco anos das últimas três décadas. O relatório Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil, divulgado nesta terça-feira (17) pelas Nações Unidas, revela que a mortalidade de recém-nascidos (até 28 dias) despencou de 25 para cada mil nascidos em 1990 para apenas sete em 2024. O progresso entre crianças de até cinco anos foi ainda mais acentuado, caindo de 63 mortes por mil para 14,2 no mesmo período.
O Unicef atribui esse sucesso a um conjunto robusto de políticas integradas, como o Programa Saúde da Família, a expansão da rede de Atenção Básica e o incentivo à vacinação e amamentação. “O Brasil investiu em políticas que funcionam”, afirmou Luciana Phebo, chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil. No entanto, o órgão alerta que o ritmo de melhora perdeu força: a queda anual na mortalidade neonatal, que era de 4,9% na década de 2000, baixou para 3,16% nos últimos 14 anos.
O Cenário da Juventude e Causas Externas
O relatório também traz dados alarmantes sobre a mortalidade de jovens entre 15 e 19 anos no Brasil, onde as causas externas superam as questões de saúde biológica:
Causa de Morte (15-19 anos) Meninos Meninas Violência 49% 12% Doenças Não Transmissíveis 18% 37% Acidentes de Trânsito 14% – Doenças Transmissíveis – 17% Suicídio – 10%Investimento com Retorno Social
As Nações Unidas reforçam que investir na sobrevivência infantil é uma das estratégias de desenvolvimento mais eficazes. Segundo o Unicef, cada US$ 1 investido em saúde e nutrição infantil pode gerar um retorno de até US$ 20 em benefícios sociais e econômicos, ao aumentar a produtividade futura e reduzir gastos públicos com tratamentos complexos. O desafio agora, segundo a entidade, é garantir que essas políticas alcancem as populações mais vulneráveis, onde o acesso ainda é precário.
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