Café como aliado climático: estudo aponta balanço positivo de carbono em Rondônia
Em uma descoberta que une o agronegócio à sustentabilidade, um estudo da Embrapa revela que as plantações de café robusta nas Matas de Rondônia (região composta por cerca de 15 municípios produtores) capturam mais dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera do que emitem durante seu ciclo produtivo.
Dados que impressionam
-
Em média, cada hectare de café robusta retira 6,8 toneladas de CO₂ por ano, ao mesmo tempo em que gera cerca de 2,9 toneladas de CO₂ no manejo usual.
-
Esse resultado gera um saldo positivo de carbono de aproximadamente 3,8 toneladas por hectare ao ano.
Publicidade -
Em outras palavras: as lavouras sequestram entre duas a três vezes mais carbono do que emitem, segundo a pesquisa.
Os caminhos da pesquisa
Para chegar a esse balanço, os pesquisadores da Embrapa entrevistaram mais de 250 agricultores familiares, levantando dados sobre o uso de insumos (fertilizantes, calcário), consumo de combustível e outros fatores de emissão.
Além disso, foi feita análise de 150 plantas adultas coletadas em 15 propriedades (raízes, troncos, folhas e frutos) para medir o estoque de carbono da biomassa vegetal.
Importante: o estudo mediu apenas o carbono fixado pela vegetação da planta (biomassa), não incluindo o carbono no solo — que pode aumentar ainda mais o potencial de sequestração.
Sustentabilidade e agregação de valor
Os autores da pesquisa destacam que o resultado abre caminho para que os cafeicultores possam acessar mercados com critérios ESG (ambiental, social e de governança) e negociar créditos de carbono, aumentando a atratividade econômica da produção sustentável.
Além disso, há recomendação de práticas agronômicas que reduzam emissões — por exemplo:
-
substituir parte dos fertilizantes químicos por adubação orgânica;
-
parcelar a aplicação de fertilizantes para reduzir perdas;
-
adotar sistemas agroflorestais ou cafés sob sombreamento;
-
usar plantas mais antigas como fonte de biomassa para secagem ou torrefação, diminuindo o uso de combustíveis fósseis.
Cenário da cafeicultura em Rondônia
Rondônia responde por 87% da produção de café na Amazônia brasileira e ocupa o segundo lugar nacional na produção de robusta, atrás apenas do Espírito Santo.
A produção estadual é majoritariamente feita por agricultura familiar, que representa cerca de 95% dos produtores locais.
Com uma produtividade média estimada em 68,5 sacas por hectare, o segmento busca alinhar desempenho com práticas sustentáveis.
Desafios, impactos e expectativas
Embora os resultados sejam promissores, pesquisadores alertam para alguns pontos de atenção:
-
A inclusão do carbono do solo pode alterar (provavelmente ampliar) o saldo geral de carbono.
-
Há necessidade de monitoramento contínuo para garantir que práticas sustentáveis sejam mantidas a longo prazo.
-
O desafio administrativo de certificar e monetizar créditos de carbono para pequenos produtores é alto.
Se bem implementada, essa abordagem pode tornar o café robusta amazônico uma referência global de produção sustentável no setor cafeeiro, contribuindo para metas climáticas nacionais e abrindo diferenciais competitivos no mercado internacional.

Comentários: