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Sabado, 12 de Setembro de 2026
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Agro

Café robusta de Rondônia sequestra mais carbono do que emite, revela estudo da Embrapa

Pesquisa realizada nas “Matas de Rondônia” aponta que lavouras de café retiram da atmosfera até 2,3 vezes mais CO₂ do que geram em seu processo produtivo resultado que pode fortalecer crédito de carbono e competitividade no mercado internacional

Se Liga PVH
Por Se Liga PVH
Café robusta de Rondônia sequestra mais carbono do que emite, revela estudo da Embrapa
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Café como aliado climático: estudo aponta balanço positivo de carbono em Rondônia

Em uma descoberta que une o agronegócio à sustentabilidade, um estudo da Embrapa revela que as plantações de café robusta nas Matas de Rondônia (região composta por cerca de 15 municípios produtores) capturam mais dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera do que emitem durante seu ciclo produtivo.

Dados que impressionam

Os caminhos da pesquisa

Para chegar a esse balanço, os pesquisadores da Embrapa entrevistaram mais de 250 agricultores familiares, levantando dados sobre o uso de insumos (fertilizantes, calcário), consumo de combustível e outros fatores de emissão.

Além disso, foi feita análise de 150 plantas adultas coletadas em 15 propriedades (raízes, troncos, folhas e frutos) para medir o estoque de carbono da biomassa vegetal.

Importante: o estudo mediu apenas o carbono fixado pela vegetação da planta (biomassa), não incluindo o carbono no solo — que pode aumentar ainda mais o potencial de sequestração.

Sustentabilidade e agregação de valor

Os autores da pesquisa destacam que o resultado abre caminho para que os cafeicultores possam acessar mercados com critérios ESG (ambiental, social e de governança) e negociar créditos de carbono, aumentando a atratividade econômica da produção sustentável.

Além disso, há recomendação de práticas agronômicas que reduzam emissões — por exemplo:

  • substituir parte dos fertilizantes químicos por adubação orgânica;

  • parcelar a aplicação de fertilizantes para reduzir perdas;

  • adotar sistemas agroflorestais ou cafés sob sombreamento;

  • usar plantas mais antigas como fonte de biomassa para secagem ou torrefação, diminuindo o uso de combustíveis fósseis.

Cenário da cafeicultura em Rondônia

Rondônia responde por 87% da produção de café na Amazônia brasileira e ocupa o segundo lugar nacional na produção de robusta, atrás apenas do Espírito Santo.

A produção estadual é majoritariamente feita por agricultura familiar, que representa cerca de 95% dos produtores locais. 

Com uma produtividade média estimada em 68,5 sacas por hectare, o segmento busca alinhar desempenho com práticas sustentáveis. 

Desafios, impactos e expectativas

Embora os resultados sejam promissores, pesquisadores alertam para alguns pontos de atenção:

  • A inclusão do carbono do solo pode alterar (provavelmente ampliar) o saldo geral de carbono.

  • Há necessidade de monitoramento contínuo para garantir que práticas sustentáveis sejam mantidas a longo prazo.

  • O desafio administrativo de certificar e monetizar créditos de carbono para pequenos produtores é alto.

Se bem implementada, essa abordagem pode tornar o café robusta amazônico uma referência global de produção sustentável no setor cafeeiro, contribuindo para metas climáticas nacionais e abrindo diferenciais competitivos no mercado internacional.

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