A campanha “Elas do Campo à Mesa: onde há alimento, há trabalho de mulheres” busca dar visibilidade ao papel feminino em toda a cadeia de abastecimento alimentar do país. A iniciativa percorre as cinco regiões do Brasil apresentando histórias de mulheres que atuam desde a produção agrícola até o transporte e o consumo dos alimentos.
O projeto é realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com a Itaipu Binacional e o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mulheres rurais contribuem com 42,4% da renda familiar, demonstrando o peso do trabalho feminino na produção de alimentos.
Do campo à produção
A jornada da campanha começa na origem dos alimentos. No município de Zé Doca, no Maranhão, as quebradeiras de coco babaçu Eronildes Souza da Silva e Maria Rita Souza da Silva representam gerações de mulheres que vivem da agricultura tradicional.
Eronildes começou a trabalhar na atividade aos 10 anos e Maria Rita aos 12. Além do trabalho na lavoura, ambas também acumulam responsabilidades domésticas e cuidados familiares.
Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) aponta que mulheres dedicam, em média, três vezes mais tempo do que homens ao trabalho doméstico e de cuidado não remunerado.
Presença feminina também na armazenagem
Depois da produção, o alimento precisa ser armazenado. Na unidade da Conab em Ponta Grossa, no Paraná, a funcionária Juliana Aparecida Schneider de Oliveira atua no controle da entrada e saída de grãos por meio do sistema de gestão de armazenagem.
Com 11 anos de atuação na companhia, Juliana destaca que a presença feminina tem contribuído para melhorar a organização e as relações de trabalho em um setor historicamente dominado por homens.
Mudanças estruturais também estão sendo planejadas para ampliar a inclusão feminina nas unidades de armazenagem, como a criação de espaços adequados para trabalhadoras e motoristas.
Mulheres nas estradas
O transporte de alimentos também conta com presença crescente de mulheres. Motoristas de caminhão como Elisiane de Barros, de Mallet (PR), e Regiane Oliveira, de Sarandi (PR), fazem parte de um grupo que vem aumentando no setor.
Dados do Ministério dos Transportes indicam que mais de 32 mil mulheres atuam como caminhoneiras no Brasil, número que cresceu 58% na última década.
Apesar do avanço, elas ainda enfrentam desafios como preconceito e falta de infraestrutura adequada nas estradas, incluindo banheiros seguros e espaços apropriados para descanso.
O alimento chega à mesa
A etapa final da cadeia alimentar aparece na história de Francisca Idelvane Muniz, moradora da zona rural de Santa Rosa do Piauí.
Beneficiária do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Conab desde 2013, ela recebe semanalmente alimentos produzidos pela agricultura familiar para garantir a alimentação de sua família.
Entre 2023 e 2024, o programa apoiou cerca de 490 mil famílias em todo o país, reforçando o papel da agricultura familiar no combate à fome.
Para Francisca, a importância do programa está na qualidade e na origem dos alimentos. “Posso garantir a segurança alimentar da minha família porque é produto de qualidade, principalmente produzido por mulheres”, afirma.
A campanha reforça que, do campo à mesa, o abastecimento alimentar do Brasil depende diretamente da força e do trabalho de milhões de mulheres.
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