O senador Confúcio Moura (MDB-RO) defendeu, nesta segunda-feira (31), no Plenário do Senado Federal, uma mudança no modelo de financiamento das campanhas eleitorais. Para o parlamentar, as regras atuais concentram recursos nos partidos com maior número de deputados federais e favorecem candidatos que já ocupam mandato. “A gente tem que mudar o modelo do financiamento público, gente! Tem que mudar”, afirmou.
Confúcio Moura lembrou que participou de campanhas eleitorais desde a década de 1990, quando o financiamento privado era permitido e as disputas tinham custos menores. Segundo ele, as campanhas atuais se tornaram milionárias e dependentes de estruturas profissionais.
O parlamentar ainda questionou a distribuição do Fundo Eleitoral, que, segundo ele, deve movimentar aproximadamente R$ 5 bilhões nas eleições de 2026. Confúcio ressaltou que PT, PL e União Brasil, por terem eleito mais deputados federais, concentram parcela expressiva dos recursos. “Quem está no mandato hoje, no Brasil, desde o vereador até o senador, está mais fácil ir para a reeleição”, afirmou.
Ele ainda relatou a situação de Rondônia, onde, segundo seu relato, candidatos a deputados estaduais pelo MDB não receberam recursos do fundo. “Os estaduais estão à míngua, não têm dinheiro. É um desespero.”
Para Confúcio, o modelo atual pode ampliar a desigualdade entre candidatos e favorecer a perpetuação dos mesmos grupos políticos. “Do jeito que está indo, ela vai, cada vez mais, reelegendo os mesmos. A margem de mudança será muito pequena”, alertou.
O senador defendeu a busca de alternativas que garantam maior equilíbrio nas disputas eleitorais e fortaleçam os partidos. Entre as possibilidades, citou o voto distrital misto, a contribuição dos filiados e mecanismos de participação direta dos eleitores no financiamento. “Como nós vamos fazer partido, fazer essa fidelização, esse amor, esse carinho, esse princípio ideológico de proteção de uma doutrina partidária, na base do dinheiro, na base do fundo eleitoral? Você não faz”, afirmou.
Confúcio reforçou ainda que o debate precisa avançar antes que uma solução seja imposta por decisão judicial. “Essa nova geração tem que encontrar um mecanismo, senão, daqui a pouco, é o Supremo Tribunal Federal que vai tomar essa decisão. Vai travar tudo isso.” Para o senador, o país precisa construir um sistema que permita a participação de candidatos com diferentes condições econômicas e preserve a diversidade política.

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