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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026
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Educação

Igualdade de gênero nas escolas: a lição que pode salvar vidas

Diante de números assim, falar sobre igualdade de gênero na escola deixa de ser "ideologia" e vira, simplesmente, saúde pública e segurança pública.

Se Liga PVH
Por Se Liga PVH
Igualdade de gênero nas escolas: a lição que pode salvar vidas
Imagem: Rondoniagora
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Não importa se você é de direita, de esquerda, religioso ou não.

Existe um dado que não cabe em nenhuma bandeira: o Brasil vive uma emergência de violência contra a mulher.

Somente em 2025, o Ligue 180 registrou mais de 1 milhão de atendimentos, quase 3 mil por dia — um aumento de 45% em relação ao ano anterior.

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No mesmo ano, o país bateu recorde histórico de feminicídios, com 1568 mulheres assassinadas por serem mulheres, alta de 4,7%.

Diante de números assim, falar sobre igualdade de gênero na escola deixa de ser "ideologia" e vira, simplesmente, saúde pública e segurança pública.

E é justamente na escola que a prevenção inicia. O menino de hoje é o homem de amanhã — o namorado, o marido, o pai, o colega de trabalho.

Se ele cresce sem aprender a respeitar o "não", a dividir tarefas, a lidar com a frustração sem violência, é bem provável que reproduza, adulto, o que naturalizou quando criança.

Ensinar igualdade de gênero desde cedo não é impor um comportamento: é oferecer a meninos e meninas outra referência de convivência, baseada em respeito e não em hierarquia.

Mas o que é, na prática, igualdade de gênero? É reconhecer que homens e mulheres têm os mesmos direitos e o mesmo valor — e que a desigualdade é o solo onde a violência cresce. A Lei Maria da Penha já explica isso: a violência contra a mulher não é só o tapa ou o soco.

Falar de igualdade de gênero na escola é dar nome a esses comportamentos antes que eles se tornem hábito.

E a urgência é ainda maior porque essa violência está ficando mais jovem.

Hoje já se aplicam medidas protetivas da Lei Maria da Penha contra adolescentes, algo antes raro.

Cresce entre garotos a adesão a discursos misóginos organizados nas redes — a chamada cultura red pill, os incels, a "machosfera" —, que pregam a submissão feminina e transformam frustração afetiva em ódio.

Casos de "ranking sexual" com fotos de colegas e de nudes e imagens manipuladas por inteligência artificial e compartilhados sem consentimento já apareceram em escolas de diferentes estados brasileiros.

Só a SaferNet recebeu 87.689 denúncias de crimes cibernéticos em 2025, 28,4% a mais que no ano anterior, com a misoginia entre as categorias que mais cresceram.

Por isso, tratar de igualdade de gênero na sala de aula não é "antecipar" um debate adulto: é chegar antes do algoritmo, antes da comunidade de ódio, antes que a violência vire hábito. É proteger meninas hoje e formar homens melhores amanhã.

Nenhuma opinião política muda essa conta.

* Flávia Albaine Farias da Costa é Defensora Pública do Estado de Rondônia desde novembro de 2016. É mestra em Direitos Humanos, Doutoranda em Direitos Humanos, Professora de Cursos de Pós Graduação, Palestrante e Escritora.

Fonte: Rondoniagora

FONTE/CRÉDITOS: Rondoniagora — https://www.rondoniagora.com/colunistas/flavia-albaine/igualdade-de-genero-nas-escolas-a-licao-que-pode-salvar-vidas
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