A primeira-dama e socióloga Janja Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira, 3, que o combate ao feminicídio no Brasil exige uma transformação cultural profunda, especialmente entre as novas gerações. Durante sua participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, Janja destacou que o país atingiu a trágica marca de 1.470 mulheres mortas no último ano, um recorde que reforça a urgência do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. Segundo ela, o diferencial desta iniciativa é a união inédita dos Três Poderes, proposta pelo presidente Lula, para garantir que as medidas de proteção saiam do papel e a “engrenagem” de segurança funcione efetivamente.
Janja alertou para a perigosa normalização da violência, impulsionada por discursos de ódio em ambientes digitais. Ela revelou a existência de mais de 140 canais nas redes sociais dedicados exclusivamente à disseminação de ataques contra mulheres, atingindo públicos de todas as idades sem qualquer restrição. Para a primeira-dama, o feminicídio é um crime que ignora ideologias, atingindo tanto mulheres progressistas quanto conservadoras. Além da mudança de mentalidade, ela enfatizou a necessidade de aprimorar o monitoramento tecnológico dos agressores para evitar que ameaças se convertam em assassinatos.
A entrevista também marcou a apresentação da campanha nacional “Feminicídio Nunca Mais”, uma parceria entre a TV Brasil (EBC), a organização No More Foundation, a Unesco e a CBF. Antonia Pellegrino, diretora de Conteúdo da EBC, e Daniela Grelin, da No More Foundation, detalharam as ações de mobilização social que visam sensibilizar a população e oferecer canais de denúncia mais acessíveis. A campanha utiliza o esporte e a cultura como veículos para levar a mensagem de tolerância zero à violência doméstica para todos os cantos do país.
O lançamento oficial da campanha ocorre na noite desta terça-feira com uma projeção simbólica no Santuário do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Nesta quarta-feira, 4, o Comitê Interinstitucional do Pacto apresentará, em Brasília, o cronograma de ações unificadas para 2026. O objetivo central é criar um ambiente onde as mulheres se sintam seguras em casa, no trabalho e nos espaços públicos, transferindo a responsabilidade da segurança da vítima para um esforço conjunto entre a sociedade e o Estado brasileiro.
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