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Segunda-feira, 27 de Julho de 2026
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Livro reúne jovens contra o racismo ambiental

Projeto da ActionAid reúne 350 crianças e adolescentes de seis estados em livro que denuncia o racismo ambiental a partir de vivências em favelas, comunidades rurais e territórios indígenas.

Se Liga PVH
Por Se Liga PVH
Livro reúne jovens contra o racismo ambiental
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Comunidades ribeirinhas, favelas e reservas indígenas estão entre os grupos mais atingidos pelo chamado racismo ambiental no Brasil. O conceito se refere ao conjunto de injustiças sociais e ambientais que impactam de forma mais severa populações vulneráveis e determinados grupos étnicos.

A partir de relatos de jovens desses territórios, a ActionAid lançou um projeto de conscientização que resultou no livro “Pequenos Grandes Saberes: Um Glossário Climático pelo Olhar de Crianças e Adolescentes”.

A publicação reúne textos e ilustrações produzidos por crianças e adolescentes de 7 a 17 anos que vivem em regiões afetadas por problemas como falta de saneamento básico, calor extremo, alagamentos e ausência de infraestrutura adequada.

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Ao todo, cerca de 350 jovens de seis estados brasileiros participaram do processo, que durou três anos. Contribuíram moradores do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro; de Heliópolis, em São Paulo; do território indígena Xakriabá, em Minas Gerais; de comunidades rurais do interior de Pernambuco; de territórios quilombolas na Bahia; e de comunidades de quebradeiras de coco babaçu no Tocantins.

Glossário traduz injustiças em palavras simples

Uma das responsáveis pela metodologia do projeto, a especialista em Educação e Infâncias Carolina Silva explica que a ideia surgiu a partir do incômodo percebido nas próprias crianças.

Segundo ela, muitos jovens já sentiam que algo estava errado em seus territórios, mas não tinham palavras para nomear essas injustiças. O glossário nasce justamente dessa necessidade de expressão e valorização dos saberes locais.

No livro, o personagem Akin aprende sobre o mundo com base nas definições criadas pelos jovens. Termos como Agrotóxico, Água, Energia e Inclusão ganham significados ligados à realidade vivida por eles.

Para “Energia”, por exemplo, os relatos apontam que a luz pode até faltar para todos, mas volta mais rápido em bairros mais ricos. Já “Água” é descrita como um recurso que nem sempre chega limpa ou em quantidade suficiente.

Metodologia pode ser replicada em escolas

A metodologia desenvolvida pela ActionAid e organizações parceiras foi documentada e incluída na publicação, permitindo que o projeto seja replicado em escolas, iniciativas sociais e políticas públicas.

Participaram da construção do glossário entidades como Redes da Maré, UNAS Heliópolis, Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA-NM), Giral, Conselho Pastoral de Pescadores e Pescadoras (CPP) e Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).

Para a diretora programática da ActionAid Brasil, Ana Paula Brandão, ouvir crianças e adolescentes é essencial para fortalecer uma educação ambiental com perspectiva antirracista. Segundo ela, o glossário se torna um instrumento de mobilização e sensibilização para o debate sobre justiça climática e social.

A iniciativa reforça que, além de vítimas das desigualdades, crianças e jovens também são protagonistas na construção de soluções e narrativas sobre seus próprios territórios.

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FONTE/CRÉDITOS: Alice Rodrigues* – Agência Brasil - 50
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