O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou formalmente a Polícia Federal por atraso no cumprimento de ordens judiciais relacionadas à investigação do esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e seus controladores. A manifestação consta em despacho judicial no qual o magistrado exige explicações da corporação pela demora na execução de medidas cautelares autorizadas pelo STF.
Segundo o ministro, a Polícia Federal recebeu autorização para deflagrar buscas e prisões contra investigados — entre eles o empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, e o investidor Nelson Tanure — mas só cumpriu as ordens dias após o prazo determinado pela Corte. Toffoli ressaltou que as diligências foram deferidas em 7 de janeiro e que deveriam ter sido realizadas em até 24 horas após a data de 12 de janeiro, diante da gravidade dos indícios de crimes.
Na avaliação do ministro, o atraso da PF não é apenas um descumprimento formal, mas pode ter prejudicado a coleta de provas essenciais para o deslinde da investigação, considerando que outros envolvidos poderiam comprometer elementos probatórios. Toffoli qualificou a conduta da corporação como “inércia” e deixou claro que a responsabilidade por eventuais prejuízos decorrentes da demora é da própria Polícia Federal.
A Operação Compliance Zero, sob sigilo, investiga supostas fraudes financeiras e práticas criminosas que envolvem a emissão de títulos falsos, gestão fraudulenta de instituição financeira e outras possíveis irregularidades atribuídas a Vorcaro e a outros alvos. A ação de busca e apreensão integrada à nova fase do inquérito incluiu mandados em diversos estados e bloqueio de bens que somam bilhões de reais.
Fontes que acompanham o caso indicam que há tensão entre a Polícia Federal e o gabinete do ministro Toffoli, com episódios anteriores de atrito durante investigações ligadas ao Banco Master. A Corte também tem exigido outras diligências, como a oitiva de dirigentes do Banco Central e demais investigados, para garantir a efetividade das apurações.
Até o momento, a Polícia Federal não se manifestou publicamente sobre as críticas feitas pelo ministro. O caso segue sob supervisão do STF, que tem ampliado sua atuação no inquérito desde que a investigação foi parcialmente deslocada da Justiça Federal para aquela Corte em função de prerrogativas de foro de um dos envolvidos.

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