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Terça-feira, 28 de Julho de 2026
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Agro

Brasil aposta na bioeconomia para transformar resíduos em riqueza e liderança global

Especialistas destacam que o país reúne escala produtiva, diversidade agrícola e conhecimento técnico para liderar a transição sustentável, aproveitando resíduos agroindustriais como fonte de energia, insumos e créditos de carbono.

Se Liga PVH
Por Se Liga PVH
Brasil aposta na bioeconomia para transformar resíduos em riqueza e liderança global
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Porto Velho (RO), 17 de setembro de 2025 – Muito já se debate sobre os elevados índices de produtividade agrícola, as exportações recordes e o protagonismo do Brasil como grande fornecedor mundial de alimentos. Entretanto, há uma oportunidade estratégica menos visível — porém com potencial transformador — que pode reposicionar o país no cenário global: a bioeconomia, especialmente a conversão de resíduos agroindustriais em ativos de valor.

Subprodutos que viram ativos

Segundo José Carlos de Lima Júnior, cofundador e professor da Harven Agribusiness School, resíduos como palha, vinhaça, esterco, bagaço, cascas e restos de colheita — que muitas vezes são tratados apenas como subproduto ou passivo ambiental — têm capacidade para gerar uma gama de novos produtos:

Por que o momento é este

Há múltiplos fatores que tornam esse cenário especialmente favorável agora:

  1. Pressões internacionais ambientais — Normas de emissão de gases de efeito estufa, cadeias mais rigorosas de carbono (“carbon border adjustment mechanisms”) e exigências de sustentabilidade por compradores externos têm estimulado mercados europeus e asiáticos a preferirem produtos de baixo carbono ou com rastreabilidade.

  2. Volatilidade dos insumos importados — Fertilizantes, maquinários e combustíveis fósseis tiveram variações fortes de preço nos últimos anos, elevando os custos de produção. Desenvolver insumos locais ou renováveis permite reduzir essa vulnerabilidade.

  3. Demanda crescente por produtos sustentáveis — Consumidores globais, investidores (fundos ESG) e governos estão dispostos a pagar mais por produtos com certificações verdes ou com menor impacto ambiental.

  4. Potencial tecnológico e científico — Universidades, institutos de pesquisa e startups brasileiras têm avançado nos estudos de aproveitamento de biomassa, técnicas de fermentação, digestão anaeróbia e melhoramento genético de culturas para otimizar rendimento de resíduos.

  5. Políticas públicas em discussão — Há projetos de lei e incentivos fiscais em tramitação que visam estimular bioeconomia, biocombustíveis de segunda geração, créditos de carbono, e uso sustentável do solo.

Recursos que o Brasil já oferece

O artigo lembra, corretamente, que o Brasil reúne três vantagens fundamentais:

  • Escala — tamanho continental, disponibilidade de terras e clima diversificado, permitindo cultivo de variadas espécies e safras ao longo do ano.

  • Conhecimento técnico — a engenharia agronômica, pesquisa aplicada (EMBRAPA, universidades federais etc.), e empresas de tecnologia agrícola já bem estabelecidas.

  • Diversidade produtiva — agricultura, pecuária, biotecnologia, extração vegetal, agroindústria, etc., tudo isso cria uma matriz variada que facilita o aproveitamento dos resíduos de diversos setores.

Desafios que precisam ser superados

Para que essa vantagem silenciosa se torne visível e duradoura, é necessário ultrapassar entraves:

  • Investimento em infraestrutura de coleta, logística, transporte e processamento de resíduos. Muitas regiões produtoras ainda não têm estrutura adequada para escoar ou tratar resíduos.

  • Políticas fiscais e regulatórias claras, estáveis e incentivos para a bioeconomia, inclusive para produtores menores, cooperativas, comunidades indígenas e tradicionais.

  • Transferência de tecnologia e capacitação técnica, para que os agricultores aprendam a lidar com novos modelos de produção.

  • Mercados bem definidos e confiáveis para os novos produtos (certificação, legislação, acordos internacionais).

  • Proteção ambiental e social, para que a bioeconomia não venha acompanhada de desmatamento ou exploração excessiva de recursos naturais.

Caminhos já em curso

Alguns exemplos recentes mostram que há movimentação nessa direção:

  • Projetos-piloto de biodigestores em fazendas no Mato Grosso e na região Sul, convertendo resíduos de suínos e bovinos em biogás para uso local ou venda.

  • Iniciativas de cooperativas no Nordeste que estão produzindo biofertilizantes a partir de resíduos da mandioca e da cana.

  • Empresas nacionais investindo em bioplásticos ou embalagens compostáveis, com incentivos de incubadoras e editais de fomento.

Cenário internacional e projeções

Especialistas estimam que o mercado global de bioeconomia poderá ultrapassar alguns trilhões de dólares nas próximas décadas. Para o Brasil, isso representa uma oportunidade não apenas de aumentar valor agregado da produção, mas de ganhar espaço em cadeias globais, reduzir importações e gerar emprego verde nas zonas rurais.

Conclusão

A grande interrogação levantada pelo professor José Carlos de Lima Júnior continua: vamos esperar que as pressões externas nos empurrem a avançar ou vamos liderar a transformação desde já? Se o Brasil adotar políticas proativas e incentivar sua cadeia produtiva a monetizar o “invisível” — resíduos e subprodutos — há uma especial vantagem silenciosa, mas poderosa, prestes a se tornar visível.

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