LEVANTAMENTO A primeira pesquisa Quaest sobre a disputa pelo Governo de Rondônia em 2026 coloca números em uma fotografia eleitoral que, embora ainda esteja longe de representar o resultado das urnas, auxilia a iluminar um cenário que há algum tempo vem sendo percebido nos bastidores da política rondoniense.
NÚMEROS Marcos Rogério aparece com 24% das intenções de voto, seguido por Adailton Fúria, com 21%. Hildon Chaves e Expedito Netto têm 10% cada. Samuel Costa aparece com 2% e Pedro Abib, com 1%. A margem de erro é de três pontos percentuais, e 22% dos entrevistados ainda estão indecisos.
OBSERVAÇÃO O primeiro cuidado, portanto, é não transformar uma pesquisa em sentença. Não existe eleição ganha em agosto.
OBSERVAÇÃO 2 E há um dado especialmente relevante: na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, 65% dos eleitores ainda não souberam apontar um candidato.
OBSERVAÇÃO 3 Isso indica um eleitorado em grande parte aberto a mudanças. Mas pesquisa ainda serve para identificar tendências.
PERSPECTIVA E a tendência que inicia a se desenhar é de uma disputa que pode estar se encaminhando para uma configuração bastante clara.
MOVIMENTO Marcos Rogério na dianteira e uma disputa intensa entre Fúria e Hildon pela outra vaga no segundo turno.
EMPATE? Rogério, é verdade, aparece apenas três pontos à frente de Fúria, diferença que está dentro da margem de erro. Tecnicamente, os dois estão empatados.
NA FRENTE Entretanto, há um elemento que merece atenção: nas simulações de segundo turno, o senador aparece vencendo todos os adversários testados.
PROJEÇÃO Contra Fúria, Rogério teria 40% contra 29%. Diante de Hildon, 47% contra 20%. Contra Expedito Netto, 49% contra 23%.
DETALHE Isso não significa que Rogério esteja eleito. Significa, contudo, que sua candidatura apresenta hoje uma característica relevante: tem musculatura no primeiro turno e, ao mesmo tempo, aparece competitiva nos cenários de segundo turno.
DETALHE 2 É uma combinação politicamente relevante. Fúria, por sua vez, confirma que não é apenas um nome competitivo, porém um candidato que efetivamente está no jogo. Seus 21% na estimulada o colocam muito próximo de Rogério e à frente de Hildon e Expedito.
VANTAGEM Mais do que isso: nas simulações de segundo turno, Fúria aparece à frente de Hildon, por 37% a 23%, e de Expedito, por 41% a 18%.
SIGNIFICADO É justamente aí que aparece a importância da disputa pela segunda vaga. Hildon Chaves, com 10%, está numericamente empatado com Expedito Netto.
VIRADA O ex-prefeito de Porto Velho, entretanto, não pode ser descartado. Política não é matemática pura, e candidatos com trajetória, estrutura e conhecimento público podem crescer no decorrer de a campanha.
CORREDOR Há ainda um componente que merece ser observado: o contraste entre a fotografia da pesquisa e aquilo que se conversa nos bastidores.
LEITURA Há algum tempo, a percepção de setores políticos era de uma disputa mais pulverizada, com diferentes nomes capazes de alcançar o segundo turno.
INDICATIVO A Quaest, contudo, oferece uma fotografia que concentra a maior parte das intenções em três candidaturas: Rogério, Fúria e Hildon.
POSSIBILIDADE Isso não significa que os demais estejam fora da eleição. Significa apenas que, no momento, o caminho deles parece mais estreito.
ESQUERDA Expedito Netto tem 10%, exatamente o mesmo percentual de Hildon, e seria precipitado tratar sua candidatura como irrelevante.
OUTROS Samuel Costa e Pedro Abib aparecem mais distantes, porém eleição não é uma fotografia congelada.
ESPERANÇA As chances de um dos demais candidatos chegar ao segundo turno hoje parecem pequenas. Mas pequenas não significa impossíveis.
NÍVEIS E essa ressalva é relevante para que a análise não se transforme em torcida. O que a pesquisa permite dizer, neste momento, é que a eleição parece caminhar para uma disputa em dois níveis.
LÍDER No primeiro, Marcos Rogério busca consolidar a liderança e transformar a vantagem numérica em liderança efetiva.
COLADINHOS No segundo, Fúria e Hildon precisam travar uma batalha particularmente relevante: não necessariamente para vencer a eleição agora, porém para garantir o direito de continuar disputando-a no segundo turno.
CONFORTO Fúria parte de uma posição numericamente mais confortável. Está com 21%, tem desempenho competitivo nos cenários de segundo turno e aparece como principal adversário de Rogério.
CRESCIMENTO Hildon, por outro lado, precisa recuperar terreno. Seus 10% não o tiram da disputa, porém tornam mais urgente a necessidade de crescimento.
CAUTELA A vantagem sobre ele não é confortável, porque a eleição ainda está aberta e uma campanha bem executada pode alterar rapidamente o quadro.
INDECISÃO Há, ainda, um aspecto que não pode ser ignorado: 22% dos eleitores estão indecisos na pesquisa estimulada.
SIGNIFICADO Esse contingente é maior do que a votação de qualquer candidato individualmente, com exceção dos dois primeiros.
SEM DECISÃO E, somado aos 10% que dizem votar branco, nulo ou não pretendem votar, indica que uma parcela expressiva do eleitorado ainda não está definitivamente posicionada.
ANÁLISE É justamente por isso que a política dos bastidores continuará sendo tão relevante quanto os números publicados.
ANÁLISE 2 Alianças, apoios, composição de chapas, estratégia de comunicação, desempenho nos debates e capacidade de mobilização podem alterar a fotografia.
ANÁLISE 3 Mas, neste momento, há uma leitura possível — e razoavelmente consistente — dos números: Marcos Rogério aparece como o candidato com maior probabilidade de permanecer à frente e alcançar o segundo turno.
ANÁLISE 4 Fúria e Hildon, por sua vez, parecem caminhar para uma disputa direta pela segunda vaga. Isso é uma tendência, não uma previsão infalível.
IMPREVISÍVEL E talvez seja essa a principal mensagem da primeira Quaest: a eleição de Rondônia inicia a ganhar contornos mais definidos, porém ainda está longe de estar decidida.
CAMINHOS Quem está na frente precisa continuar trabalhando para não perder a liderança. Quem está no meio da disputa precisa crescer. E quem está atrás precisa encontrar rapidamente uma estratégia capaz de mudar a percepção do eleitor.
FATO Porque, até outubro de 2026, muita coisa ainda pode acontecer. E na política, como se sabe, a pesquisa de hoje é fotografia; a eleição, contudo, é um filme.
FRASE O excesso de confiança já derrotou favoritos e transformou azarões em vencedores.

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