IMPACTO Pesquisa de intenção de voto produz números que ganham manchetes, alimentam discursos, movimentam campanhas e podem, sim, influenciar a escolha de milhares de eleitores.
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PROIBIDA A recente decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia de suspender a divulgação de uma pesquisa do Instituto Veritá acende novamente essa luz amarela.
MOTIVO Segundo a Justiça Eleitoral, foram identificadas falhas nas informações técnicas apresentadas, incluindo a ausência do número exato de entrevistados por setor censitário e a falta do nível de confiança nas peças de divulgação.
OBSERVAÇÃO Não cabe a esta coluna antecipar culpa ou transformar uma decisão liminar em condenação definitiva.
OBSERVAÇÃO 2 Justiça é justamente o espaço adequado para que as partes apresentem suas explicações e recursos.
OBSERVAÇÃO 3 Mas há uma questão que independe do resultado final do processo: pesquisa eleitoral precisa ser absolutamente transparente.
ILUSÃO Não basta apresentar percentuais bonitos, gráficos coloridos e manchetes capazes de provocar comemoração em uma campanha e desânimo em outra.
CRITÉRIOS É indispensável que o eleitor tenha condições de saber como aqueles números foram produzidos.
CRITÉRIOS 2 Quantas pessoas foram ouvidas? Onde foram entrevistadas? Como a amostra foi distribuída?
CRITÉRIOS 3 Qual foi o nível de confiança? Qual a margem de erro? Quem contratou? Quanto custou? Quando as entrevistas foram realizadas? Tudo isso importa.
INTERFERÊNCIA E importa ainda mais porque pesquisa eleitoral não apenas mede o ambiente político. Em determinadas circunstâncias, ela ainda pode interferir nele.
IMAGEM Um candidato que aparece muito à frente pode ganhar a percepção de favorito. Outro que surge em queda pode ser abandonado por aliados, financiadores ou eleitores que passam a acreditar que sua candidatura não tem viabilidade.
INFLUÊNCIA O chamado “voto útil” ainda pode ser influenciado por números divulgados como se fossem uma fotografia incontestável da realidade.
RISCO É por isso que uma pesquisa mal explicada, incompleta ou tecnicamente questionável não é um problema menor.
CONSEQUÊNCIAS Número errado não é apenas número errado. Pode produzir comportamento errado.
FATO E Rondônia já vive uma eleição suficientemente movimentada para que pesquisas sejam tratadas com ainda mais responsabilidade.
SEM PARTIDO Não se trata de defender candidato, partido ou grupo político. Aliás, é justamente o contrário.
REGRA A cobrança precisa valer para todos os institutos, todos os contratantes e todos os lados da disputa.
DIRETRIZ Se uma pesquisa estiver correta, que seja divulgada. Se estiver tecnicamente adequada, que seja defendida.
DIRETRIZ 2 Se houver questionamentos, que sejam esclarecidos. E, se houver irregularidade comprovada, que haja responsabilização.
ENGANOSO O que não pode acontecer é o eleitor receber números incompletos, confiar neles como verdade absoluta e só depois descobrir que havia problemas nos critérios utilizados para chegar àqueles resultados.
PARÂMETROS Reproduzir percentuais sem questionar metodologia é pouco. O jornalismo responsável não deve apenas perguntar “quem está na frente?”, porém ainda “como chegaram a esse número?”.
QUESTIONAMENTO Essa é a pergunta que precisa ser feita sempre. Eleição se decide pelo voto do cidadão — e o cidadão merece informação confiável para tomar sua decisão.
ENTENDIMENTO Pesquisa não é torcida. Pesquisa não é palanque. Pesquisa não é instrumento para fabricar realidade.
ENTENDIMENTO 2 Pesquisa é técnica, método e responsabilidade. E quem coloca números na praça precisa estar preparado para explicar, nos mínimos detalhes, de onde eles vieram.
FRASE O eleitor prudente não transforma pesquisa em verdade absoluta. Compara dados, observa a metodologia e tira suas próprias conclusões.

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