A desestatização da Hidrovia do Rio Madeira será debatida em audiência pública no próximo dia 2 de dezembro, às 8h30 (horário de Rondônia), na Comissão de Infraestrutura da Câmara dos Deputados. O encontro, proposto pelos deputados federais Sílvia Cristina e Thiago Flores, contará com participação presencial e remota, reunindo representantes de diversos segmentos econômicos impactados pela logística do Arco Norte.
A deputada Sílvia Cristina destacou que o objetivo é ampliar o diálogo e esclarecer dúvidas sobre o futuro da hidrovia. “Estamos mobilizando entidades e instituições ligadas ao tema. A participação remota e presencial permitirá ampliar o debate, e convidamos toda a sociedade para esse momento de esclarecimento”, afirmou.
Para o superintendente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero), Gilberto Baptista, transformar o rio Madeira, de fato, em uma hidrovia é uma necessidade estratégica para fortalecer a logística regional. Ele defende que a concessão é um caminho natural, mas ressalta que deve ser conduzida com cautela para evitar custos excessivos e prejuízos aos usuários.
“Hoje o rio é navegável, mas ainda não pode ser considerado uma hidrovia plena. Faltam sinalização, batimetria, dragagem, canal navegável o ano inteiro e o derrocamento de pedras. Esses investimentos precisam estar garantidos na concessão, sem elevar de forma exagerada os custos logísticos”, explicou.
O Madeira é uma das principais rotas do Arco Norte, utilizado para o escoamento de grãos de Rondônia e do noroeste do Mato Grosso, além do transporte de combustíveis. No entanto, a falta de navegabilidade durante o período de seca reduz o volume transportado e impõe restrições que afetam diretamente a competitividade do setor. “Se tivéssemos uma hidrovia plena, esse problema não existiria”, destacou Gilberto.
Apesar de Rondônia ser um dos maiores exportadores de carne bovina do país, o modal hidroviário não é utilizado para esse tipo de carga. O setor prefere enviar o produto a portos como Santos e Itajaí. “Carne é perecível, não pode depender de um modal sujeitado a interrupções. Com a hidrovia consolidada, isso deixaria de ser um obstáculo”, avaliou.
Gilberto lembrou ainda que, durante o processo de privatização da Eletrobras, ficou garantido que parte dos recursos seria destinada à implantação da hidrovia. Para ele, esse compromisso precisa ser mantido. “Sem esse aporte financeiro, dificilmente teremos um preço acessível para o transporte de cargas. E é importante destacar que somente as grandes embarcações serão tarifadas”, afirmou.
O superintendente acredita que o projeto pode consolidar Rondônia como um hub logístico, desde que estruturado com responsabilidade. “A hidrovia é essencial e tem potencial para impulsionar ainda mais nossa economia. Mas precisa atender às necessidades reais do setor. Não pode ser apenas uma cobrança — os investimentos precisam garantir navegação plena durante todo o ano.”

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