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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026
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Política

Lula é orientado a evitar improviso em falas sobre segurança pública

Receio é que eventuais deslizes virem munição para oposição sobre combate ao crime organizado

Se Liga PVH
Por Se Liga PVH
Lula é orientado a evitar improviso em falas sobre segurança pública
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Lula é orientado a evitar falas improvisadas sobre segurança pública

Aliados temem que declarações do presidente sejam exploradas pela oposição em meio à crise na área e à aproximação do debate eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sido orientado por aliados a evitar declarações improvisadas sobre segurança pública, segundo informações obtidas pela CNN Brasil. A recomendação visa impedir que falas espontâneas sejam usadas politicamente pela oposição, sobretudo num momento em que o tema tende a ganhar destaque nas eleições municipais e na corrida presidencial de 2026.


Fala na Indonésia ainda repercute

Entre os exemplos citados está a declaração de Lula, feita na Indonésia, de que “traficantes são vítimas de usuários”. Apesar de o presidente ter se retratado logo depois, reconhecendo que se expressou mal, o trecho segue sendo explorado por adversários da direita para reforçar o discurso de que o governo petista seria conivente com o crime organizado.

Nos bastidores, aliados avaliam que Lula não deve “morder a isca” de provocações oposicionistas, que tentam colar no governo a imagem de leniência com facções criminosas.

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Reações após a megaoperação no Rio

Desde a megaoperação policial que resultou em 121 mortes nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, na última terça-feira (28), o presidente tem se manifestado apenas pelas redes sociais.

No dia seguinte à ação, Lula afirmou ter se reunido com ministros e determinado o envio de uma comitiva ao Rio para se encontrar com o governador Cláudio Castro (PL).

“Não podemos aceitar que o crime organizado continue destruindo famílias, oprimindo moradores e espalhando drogas e violência pelas cidades. Precisamos de um trabalho coordenado que atinja a espinha dorsal do tráfico sem colocar policiais, crianças e famílias inocentes em risco”, escreveu.


Projeto de lei Antifacção

Nesta sexta-feira (31), ao assinar o projeto de lei Antifacção, Lula voltou a se pronunciar sobre o tema. A proposta do governo aumenta para até 30 anos as penas para quem integra facções criminosas e cria mecanismos para fortalecer as investigações e o bloqueio financeiro dessas organizações.

O presidente ressaltou que o projeto se soma à PEC da Segurança Pública, enviada em abril ao Congresso, com o objetivo de promover ações integradas entre União, estados e municípios no combate ao crime.

“As facções só serão derrotadas com o esforço conjunto de todas as esferas de poder. Diferenças políticas não podem ser pretexto para que deixemos de avançar. Confio no empenho dos parlamentares para a rápida aprovação desses projetos. As famílias brasileiras merecem essa dedicação”, destacou Lula.


Governadores lançam “Consórcio da Paz”

Enquanto isso, a megaoperação fluminense foi elogiada por governadores de direita, que a apontam como modelo. Na quinta-feira (30), durante reunião no Palácio da Guanabara, Cláudio Castro e chefes de Executivos de seis estados anunciaram o “Consórcio da Paz”, aliança voltada ao combate coordenado ao crime organizado.

Durante o encontro, os governadores criticaram a atuação do governo federal na área de segurança. O pré-candidato à Presidência e governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), chegou a acusar integrantes da gestão petista de serem “complacentes e convenientes” com o crime.


Governo encomenda pesquisas sobre percepção pública

Para calibrar o discurso e entender o impacto político da crise, o PT e o Palácio do Planalto decidiram realizar pesquisas de opinião sobre a percepção da população em relação à megaoperação no Rio. O objetivo é definir o tom das próximas ações e comunicações do governo no combate à criminalidade.

Levantamento da AtlasIntel, divulgado na sexta-feira (31), mostrou que 87,6% dos moradores de favelas do Rio aprovam a operação contra o Comando Vermelho. Outros 12,1% desaprovam, e 0,3% não opinaram.

Entre a população carioca em geral, a aprovação é de 55%, e a desaprovação, 40,5%. Em âmbito nacional, o apoio nas comunidades supera 80%, revelando um consenso expressivo entre os moradores de favelas sobre a necessidade de ações mais rigorosas contra o tráfico.


Contexto

O tema da segurança pública tem se tornado um dos principais desafios do governo Lula, pressionado por governadores e pela opinião pública após uma sequência de episódios de violência em grandes centros urbanos.

A avaliação dentro do Planalto é de que o discurso presidencial precisa ser mais controlado e técnico, evitando brechas que reforcem o discurso oposicionista em um cenário eleitoral cada vez mais polarizado.

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